Saiba porque quem muito opina vira ameba
É curioso como as pessoas preferem enviar mensagens de e-mail sobre os textos daqui, à fazer comentários no próprio blog.
Vou tentar, então, responder a três questionamentos que me foram feitos:
1. Inicialmente, não citei Ghandi e Luther King por causa da ideologia de cada um. De forma alguma! Eu os mencionei simplesmente para exemplificar, através de duas pessoas conhecidas, que se pode ser pacífico sem ser passivo.
2. Quem insinuou que eu seria “contra as opiniões alheias” (para supostamente defender as minhas), errou totalmente o alvo!
Sou também contra as opiniões que eu eventualmente tenha. E justifico isso com base na conhecida frase: “o homem é a medida de todas as coisas”.Se assim fosse (o homem sendo a medida de todas as coisas), cada um de nós seria o juiz daquilo que é (e daquilo que não é)!
E esse relativismo é uma das maiores pragas do mundo moderno, ancorando-se justamente nas opiniões (ao afirmar que aquilo que parece verdadeiro para alguém é, então, verdadeiro para essa pessoa).
Mas, pense comigo: se fossem verdadeiras todas as opiniões mantidas por qualquer pessoa, então seria preciso sempre reconhecer a verdade da opinião do oponente. E como ficaria, nessa situação, se o oponente considerasse que o relativismo é falso?
Ou seja, se o relativismo é verdadeiro, então ele é falso (desde que alguém o considere falso)! Chega-se assim, portanto, a uma auto-refutação (ou a uma autodestruição) do relativismo.
Atualmente, as pessoas entendem que quaisquer opiniões são igualmente justificáveis, dadas suas respectivas regras de evidência, e que não há questão objetiva sobre qual conjunto de regras deve ser preferido (isso é denominado “tese da equipolência das razões”).
Resumindo, seria possível oferecer boas razões tanto para se admitir quanto para se recusar qualquer opinião!
Conseqüentemente, o procedimento de dar boas razões nunca permite decidir entre opiniões rivais, nunca nos obriga a substituir uma crença por outra. E isso é um grande absurdo, pois veja:
Se toda regra de evidência é tão boa quanto qualquer outra, então para que uma opinião qualquer seja tomada como justificada basta formular um conjunto apropriado de regras em relação ao qual ela está justificada. Em particular, a opinião de que nem toda regra de evidência é tão boa quanto qualquer outra deve poder ser igualmente justificada.
E o relativista, assim, não consegue mostrar (mas deveria!) que a sua posição é melhor que a de seu oponente.
Uma alternativa seria dizer que algumas regras de evidência são melhores do que outras; mas então deveria haver fatos independentes de perspectiva sobre o que as torna melhores do que outras, e nesse caso estaríamos assumindo a falsidade do relativismo.

Concluindo, sem opinar: devemos fugir das opiniões, pois elas nos conduzem ao perigo desse relativismo que, aos poucos, vai esmagando as nossas crenças e pisoteando as nossas iniciativas.
3. A quem disse que o problema está "no excesso de obrigações", tentou explicar, mas não justificou! Somos donos do nosso próprio nariz e responsáveis pelo que fazemos com o nosso dia a dia. E se não formos, deveríamos sê-lo, pois do contrário, viramos homens-amebas. E esses seres são hoje tão comuns que já há até uma logomarca para identificá-los (não é piada!):






























