sábado, 19 de setembro de 2009

O caderninho do seu Manoel


Os MBAs são focados em gestão (de pessoas e sistemas). Não ensinam sobre "negócios", pois isso é algo diferente.

SIM, gestão e negócios, são negócios diferentes!

Para aprender sobre negócios, melhor do que fazer um MBA é observar o seu Manoel Português, dono da padaria da esquina.

Ele não tem MBA. Ele não possui nem computador na sua padaria. Mas há anos mantém um negócio espetacular, produzindo o que a clientela quer: o melhor pão da cidade, em fornadas de 20 minutos; além de atendimento rápido e personalizado (com um sorriso, ele chama cada cliente pelo primeiro nome).

Percebi, um dia, que ele faz anotações em um caderninho. Aquela é a "gestão": simples, mas eficiente! Naquele caderninho, seu Manoel Português (que nunca estudou sobre gestão) controla o fluxo de caixa, verifica o retorno sobre os investimentos feitos, estuda o crescimento da padaria e analisa o consumidor (nisso, em particular, ele é expert: está sempre ali, JUNTO de seus clientes, ouvindo-os e os observando).

Se você quiser aprender sobre negócios, vá à padaria. As leis dos negócios são absolutamente as mesmas, ali e nas grandes empresas, seja em Portugal, na China, nos EUA, em Zâmbia ou no Brasil.

BEL


Projeto da Copel está no site do Azenha.

A importância da FORMAÇÃO


É errado achar que alguém que está ocupando uma posição de liderança, tenha todas as respostas.

NÃO TEM!

O verdadeiro líder é aquele que formula AS PERGUNTAS certas. E ele precisa ter uma EQUIPE COMPETENTE, para que possa realizar; pois, do contrário, nada é possível de ser feito.

Entendo que o maior "pecado" (ou burrice, ou tirania) por parte de alguém que ocupa um cargo de liderança é o de não estar permanentemente FORMANDO pessoas.

O líder tem a obrigação de estimular a boa formação da sua equipe. E de estar COM ELA, bem PERTO DELA, diariamente, OUVINDO-A SEMPRE.

No meu entendimento, para que se possa identificar um bom líder, basta olhar para a sua equipe. Se ela é competente, e está sempre buscando melhorar essa competência e ampliar os seus conhecimentos, então há ali uma boa liderança.

Os líderes são as equipes que eles formam. Até porque não se faz nada sozinho.

E a grandeza do que se sonha, ou do que se faz, é proporcional à grandeza da equipe.


Empresas do futuro

As empresas do futuro serão aquelas que entenderão que o conhecimento já existente (e sistematizado) não pode ser tratado de forma "dogmática", vazio de qualquer significado.

As empresas do futuro serão aquelas em que as pessoas poderão compartilhar conhecimentos, dialogando, duvidando, discutindo, questionando.

As empresas do futuro serão aquelas que proporcionarão espaço para as diferenças, para as contradições, para os erros, para a criatividade, para a colaboração, para as novas idéias, para as transformações.

Para isso, os seus funcionários precisarão ter AUTONOMIA (e isso precisará lhes ser dito; e garantido; e demonstrado). E essa autonomia (que precisará ser responsável, para que não seja confundida com bagunça, nem com "faço o que quero, não o que a empresa quer") deverá servir para que os funcionários possam pensar livremente, tendo o devido tempo para refletirem sobre O POR QUÊ das coisas.

Assim, entendo que as empresas do futuro deverão ser aqueles que possuirão funcionários com capacidade para FORMULAREM AS PERGUNTAS CERTAS.

Plano de carreira?


Plano de carreira é algo que deveria ser extirpado das empresas!

Sei que o assunto é polêmico, e que agora você já deve estar assustado com a esta minha declaração. Mas explico:

Entendo e defendo a MERITOCRACIA, como o único sistema de promocões que pode ser realmente JUSTO, pois a sua implicação é que os melhores acabam ocupando as melhores posições, simplesmente porque são... OS MELHORES.

Plano de carreira é acomodação! O que a empresa precisaria ter é uma maneira de separar o joio do trigo, promovendo quem é melhor (e garantindo que aquele que for REALMENTE O MELHOR possa chegar até a Presidência da corporação). Sem coleguismos. Sem politicagem. Sem interesses pessoais. Os interesses devem ser coletivos. Devem ser EMPRESARIAIS.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quando o silêncio fala tudo


Como entendo que o ruído (certamente o "exterior", mas falo especialmente do "interior") é hoje um dos maiores problemas da humanidade , durante uma época procurei estudar o que pude sobre questões relacionadas ao silêncio (interior).

Sobre isso, uma curiosidade que acabei descobrindo: há em inglês duas palavras que, embora pareçam sinônimas, são bem diferentes: loneliness e aloneness.

Loneliness significa solidão, ou seja, ficar isolado, solitário, sozinho. O sentido dessa palavra é normalmente negativo, pois implica tristeza.

Aloneness também indica que você se encontra isolado, mas porque VOCÊ decidiu ficar assim. A palavra tem o significado de "buscar a companhia de si próprio", sendo comumente usada em um sentido positivo (como em ficar sozinho para refletir, para meditar, para se conhecer).

Infelizmente, é possível que uma pessoa fique solitária (ou seja, alcance loneliness), mesmo estando diariamente com outras pessoas (por exemplo, no trabalho; ou até mesmo dormindo todas as noites com uma outra pessoa!).

Por outro lado, a solidão voluntária (aloneness), pode acontecer até mesmo dentro do ambiente de trabalho, naquele momento em que os colegas deixam a pessoa permanecer quieta, "na sua", "em seu canto".

Loneliness é uma praga, e um dos principais motivos para a "doença do século", a depressão. Aloneness, hoje, é uma necessidade!

Capice?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Então, todo gestor é um bom gestor?


Não! Porque os gestores, em geral, estão apenas olhando para o que está ocorrendo, lendo a realidade que se manifesta diretamente aos seus olhos.

Mas nunca é no nível dos acontecimentos que vamos descobrir o essencial! É no nível do que "está por trás" que o relevante se esconde.

Portanto, é um padrão não evidente que precisa ser identificado.


E isso é mais complicado, pois exige muito mais.

E é por isso que as empresas estão hoje tão carentes de gestão (entenda-se, aqui, gestão estratégica, empreendedora, inovadora).

Neste ponto, alguém poderia perguntar: "mas o que seria relevante, ou essencial, na minha empresa?".

E a resposta é uma só: NÃO SEI!

Ninguém, de fora da empresa, pode realmente saber. E é por esse motivo que não acredito na eficácia de ferramentas trazidas de fora. E aqui, cabe a repetição: essas ferramentas podem corrigir o periférico, mas jamais atuarão no essencial!

"Qual seria, então, o segredo para descobrir o que é relevante? Há alguma ferramenta ou metodologia?".

Na minha opinião, só há uma coisa a fazer: SELECIONAR PESSOAS COMPETENTES e HUMILDES o suficiente para saberem que o que é fundamental hoje, poderá não ser amanhã. O relevante é dinâmico: ele muda ao longo do caminho. Assim, essas pessoas deverão ser capazes de MANTEREM-SE EVOLUINDO CRIATIVAMENTE. E elas, se bem geridas, ajudarão a identificar o que realmente é relevante hoje, amanhã e depois.

Se alguém discordar, ou souber de algo diferente disso, por favor se manifeste.



Como decorrência do post anterior

Bom gestor é aquele que consegue identificar o que é relevante (essencial).

E (obviamente) atuar naquilo, de forma prioritária.

É preciso focar no essencial

Como eu esperava, não tardou em vir alguma reação ao meu post sobre cinco-ésse.

Sempre vem!

Há pessoas que parecem que confundem a sua própria identidade com o cinco-ésse. Defendem a coisa, como se aquilo fosse "ela própria".

Vamos, então, um pouco mais além no assunto:

Entendo que a revolução que está em andamento não é de caráter tecnológico, mas trata-se de uma revolução de modelo mental, de modo de pensar. E isso representa (não duvide disso!) repercussões diretas na empresa, na família, nos amigos... Na vida!

É uma revolução na qual os cinco-ésses (e quero usar o termo aqui apenas como representativo de muitas iniciativas do gênero, como as de reengenharia, as dos programas de qualidade total, as de excelência de gestão, etc), tratam e detectam apenas detalhes, porém nunca a essência!

A imagem que sempre me vem à mente é a do tocador de violino do Titanic, preocupado em afinar seu instrumento, enquanto o navio como um todo estava afundando!

A maneira de superar a crise instaurada nas empresas (e você duvida que há crise na sua???) começa com a reinvenção do pensamento.

Os gurus não a resolverão! E os modismos também não!

Todos ainda trabalhamos em empresas cartesianas, lineares, que foram projetadas e construídas a partir de uma fotografia estática da realidade.

Teremos de mudar! E, para isso, acredito que nenhum (NENHUM!) modelo desenvolvido fora da empresa poderá realmente mudá-la. Não há fórmula pronta. E a mudança é no tête-à-tête.

Feitos para MUDAR


Creio que uma empresa de sucesso, hoje, é aquela que tem maior capacidade para MUDAR.

Os empreendimentos de antigamente, que eram FEITOS PARA DURAR, hoje devem ser FEITOS PARA MUDAR.

Do contrário, perecerão. E rápido!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vamos acordar?

Há mais ou menos 15 anos que eu escuto essa coisa de 5S (cinco-ésse). E agora já são 10S!

Quer saber, essa coisa JÁ ENCHEU!

A concorrência está de metralhadora na mão e eu tenho que ficar colocando etiqueta no paninho que vai polir o revolvinho???

Estamos na era da informação, mas muitas cabeças ainda estão na era da chaminé!

É preciso deixar essa mentalidade de fábrica, para quem trabalha EM FÁBRICA.

É preciso sair da MENTOPAUSA!

Dependemos (completamente) da eletricidade!

Este livro é bem interessante (coloquei o link da Cultura como propaganda gratuita, pois sou grande fã da mesma, pelos serviços digitais que proporciona, pela excelência no atendimento e, obviamente, pela qualidade do seu acervo!).

O legal do livro é que não é técnico. O autor apresenta a história da eletricidade (e de suas tecnologias correlacionadas, como GPS, telefone, lâmpada,...) colocando os "protagonistas" como mocinhos ou como bandidos (ou, às vezes, como as duas coisas juntas!).

Logo no primeiro capítulo (que a Cultura deixa você baixar, gratuitamente), o autor já faz considerações sobre "o vício em Internet", dizendo que, antes de qualquer coisa,
somos viciados em eletricidade, além do que, somos extremamente dependentes da eletricidade. No caso da sua falta, “o isolamento se intensificaria. A Internet e todos os e-mails logo deixariam de operar; em seguida, as linhas telefônicas [...] a fome se instalaria primeiro nas cidades asiáticas densamente povoadas, especialmente em virtude da falta de refrigeração dos depósitos de alimentos [...] poucos teriam chances de sobreviver.”

Mas, em nenhum momento, o autor acredita que essa dependência da eletricidade (que geraria esse remoto cenário catastrófico), seja negativa (como falam que é a "dependência em Internet"!).

Interessante a abordagem!...


CNPJ e CPF: linguagens diferentes

As empresas de base tecnológica sempre colocam seus esforços maiores no público-alvo da PESSOA JURÍDICA. "Afinal, é lá que se encontra o dinheiro", dizem elas (com razão).

O carro-chefe da Microsoft, o "OFFICE", mostra bem isso. Como o próprio nome diz, é uma ferramenta DE ESCRITÓRIO, que, portanto, não foi feita pensando-se no usuário RESIDENCIAL, PESSOA FÍSICA. Será por isso que seu uso é tão complicado?

Mas vejo que essas coisas estão, aos poucos, começando a mudar. Os clientes residenciais passaram a ser grandes consumidores de telefone celular, banda larga, torpedo, filmes/vídeos digitais, músicas, jogos,... E sua conta já não é mais insignificante!

E esse é, na minha opinião, o principal motivo pelo qual a Apple sempre esteve atrás da Microsoft, apesar de ser uma empresa bilhões de vezes superior em qualidade, de tudo o que realiza e disponibiliza no mercado: seus produtos são voltados para o CPF e não para o CNPJ; sendo que, até agora, eram caros demais para os clientes residenciais (chegavam ao mercado a preços de CNPJ!).

Mas isso está mudando. E a Apple já cresce como ninguém. E seus produtos já chegam (em muitos países) a preços mais adequados e irresistíveis pelos benefícios e facilidades que proporcionam. E a Apple sabe como agradar o cliente CPF. Sempre fez isso. A Microsoft, NUNCA!

Este post, porém, não é a respeito de Apple x Microsoft. É sobre o fato de que trabalhar para CPF não é o mesmo que trabalhar para CNPJ. Para início de conversa, a linguagem é bem diferente, não sendo suficiente uma tradução literal.

Parece óbvio, não é?

Não, não é!



Ainda sobre PLATAFORMAS

Em pouco mais de 1 ano, a plataforma da Apple (App Store) colocou no ar 75.000 aplicativos produzidos por terceiros.

E, nesse mesmo período, foram registrados 1.800.000.000 downloads de usuários!


Agora, pergunto: que companhia (ou organização, ou governo), por melhor e maior que fosse, poderia alcançar essa marca, e oferecer tamanhos benefícios, se não fosse no modelo de plataforma, que inclui parceria com terceiros e compartilhamento de receitas?

Ouvi essa frase no filme "O Sonho de Cassandra"

"Quer fazer Deus rir? Então conte a Ele os seus planos para o futuro".

sábado, 12 de setembro de 2009

O conceito da PLATAFORMA


Gosto de infra e, por isso, gosto de plataforma.

Plataforma traduz humildade; serviço, arrogância.

Contruir um site apenas para prestar seus serviços (ou vender seus produtos) é colocar-se no centro do universo.

Contruir uma plataforma para possibilitar com que, além dos seus serviços, outros também possam oferecer os deles...

...É O PRÓPRIO FUTURO!

E é isso que os governos, em particular, deveriam fazer. Infra. Plataforma. E deixar que terceiros, ao se valerem disso, possam oferecer mais e melhores serviços para a população.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A força é centrípeda

A meu ver, o melhor conceito para que uma empresa esteja na Internet hoje, certamente não é o de criar um site, imaginando-se como se estivesse no "centro" do cyberspace. Essa é uma visão do início do século; portanto, antiga.

Talvez muitos de nós ainda não tenhamos nos dado conta, mas já estamos navegando (e rapidamente) para o final da primeira década dos anos dois mil. Hoje, as coisas mudaram.

Agora, quem deseja realmente "estar na web", é preciso descentralizar, espalhar-se, distribuir-se.

É um fenômeno parecido à mudança do paradigma do mainframe para o da computação distribuída.

No meu entendimento, a visão de que a empresa vai criar um site ou portal, para atrair e manter as pessoas ali pelo maior tempo possível, é ultrapassada.

O melhor é estar em "todos os cantos", como nos mecanismos de buscas, no Twitter, no Orkut, em outros sites que possuam propagandas, referências ou links apontados para o seu portal.

A nova força é de fora para dentro, isto é, dos outros sites para a sua empresa.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Reflexões sobre o SER e o FAZER


Vitorioso é aquele que se concentra não no que ele pode FAZER, mas naquilo que ele é capaz de SER.

O SER deve ser a origem do FAZER:

SER para FAZER; e não FAZER para SER!

Enquanto o FAZER implica um ato externo, o SER depende de uma transformação a realizar-se NO INTERIOR de cada um.

Há vida lá fora!

Muitos engenheiros e técnicos consomem como informação mais tecnologia do que vida real e a partir daí começam a colocar tecnologia ao invés de vida nos seus projetos.

Além disso, os engenheiros e técnicos convivem exageradamente com outros engenheiros e técnicos, o que explica, de alguma forma, o grande número de projetos absolutamente focados na tecnologia
per se, demonstrando total desconhecimento sobre o consumidor.

Segue um conselho, que se aplica bem aos engenheiros e técnicos. Não é frase minha, mas da Laura Chiavone:

"
Esteja ligado na vida do mundo lá de fora, que é o seu grande alimento. Deixe o seu computador dormir de vez em quando e vá pra rua" (leia o texto completo da Laura, aqui).

O valor das idéias



"A autoridade - pelo menos no Brasil, faz: tenta fechar, proibir, prender, calar. Um dos seus trunfos é o argumento da prática contra o poder das idéias".

Quem fala isso é o antropólogo Roberto DaMatta.

Veja o texto completo dele, aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

OÃÇACUDE (de trás para frente)

Hoje, ouvi a frase de que "educação é um DIREITO de todo cidadão".

Guardo uma particular implicância com a palavra "direito", quando ela disfarça o "dever" de alguém (o dever de um TERCEIRO, nunca um dever MEU!).

Fico pensando em uma criança que ouve que educação é um DIREITO seu. Então, que DEVER ela deveria ter?

Sempre entendi que o elemento ATIVO do processo educacional seria o ALUNO, e não o Professor, nem o Diretor da escola, nem o Estado. Assim, um terceiro não pode pode “DAR” educação a uma pessoa, posto que a educação deve ser, de fato, uma conquista INDIVIDUAL, e que só se obtém quando há uma real MOTIVAÇÃO INTERIOR para ela (estou falando, aqui, de um impulso que venha da ALMA da própria pessoa, e não por qualquer imposição externa).

Pode-se DAR "os MEIOS" para um aluno aprender, mas a EDUCAÇÃO em si dependerá, primordialmente, do próprio ALUNO. E dizer a esse aluno que a educação é um DIREITO que ele possui, de nada adianta. Pelo contrário, só o leva a cobrar DOS OUTROS aquilo que ele deveria estar cobrando DELE MESMO.

Hoje, nossos estudantes (que foram sempre MARTELADOS com a infeliz frase da EDUCAÇÃO "DIREITO do cidadão"), demonstram um total desinteresse pelo conhecimento (salvo exceções). Muitos querem apenas o DIPLOMA (e é bom que este venha rapidamente, e da forma mais indolor possível!).

Com o diploma, eles muitas vezes conseguem bons empregos. E, nas empresas, passam então a reproduzir o mesmo desprezo pelo conhecimento, ou a mesma atitude passiva em relação a este. Nunca o buscam por conta própria. OBRIGAÇÃO, nenhuma, nunca! Afinal (dizem...) a EDUCAÇÃO deveria ser UM DIREITO do empregado (em outras palavras, um "DEVER" da empresa!).

Como canta o Legião Urbana...

...QUE PAÍS É ESSE?



terça-feira, 8 de setembro de 2009

La lumière au bout du tunnel!




Aulas de filosofia dentro das empresas.




Sobre o EMPREENDER


Complementando o
post anterior, eis o melhor da história: são as atitudes e as ações individuais que desencadeiam as atitudes e as ações coletivas, que por sua vez se transformam em comportamento generalizado!

Estamos vivendo em um acelerado processo de mudanças. O século XXI se caracterizará como os 100 anos de toda a história da humanidade em que mais mudanças ocorrerão. E aí, eu pergunto: quem muda antes, o indivíduo ou a sociedade?

Se pensarmos nisso, chegaremos à conclusão de que não se consegue explicar como é que a sociedade muda sem que tenha havido um indivíduo iniciando o processo. Assim, ouso dizer que toda e qualquer mudança da sociedade nasce de uma ação individual, que é absorvida pela coletividade, muitas vezes sem que esta o perceba.

É por isso que as atitudes e as ações individuais valem muito! Afinal, elas podem gerar alterações sociais.

Mas para isso, é preciso uma série de condições, dentre elas, a CORAGEM e o DESPRENDIMENTO. Explico...

A CORAGEM é necessária, pois quem muda está, por princípio, nadando contra a corrente. E as pessoas resistem a isso, pois nadar contra a corrente demanda maior energia. E a tendência do homem é a acomodação. Até 'se deseja' mudar, mas há uma resistência natural ao esforço individual.

Cabe ser ressaltado, aqui, que a coragem que eu menciono é uma coragem única, que eu chamo de A CORAGEM DA ALMA.

Então (alguém poderia perguntar) existem diferentes tipos de coragem? Creio que sim... Pelo menos mais de um tipo! Por exemplo, há a coragem do ignorante, isto é, daquele que demonstra "coragem" por desconhecer o perigo que corre. Por outro lado, há a "coragem" daqueles que são treinados para praticarem "atos de coragem". É o caso dos policiais, dos soldados, dos guerrilheiros (que aprendem técnicas e recebem armamentos). Há, ainda, a "coragem" do inconseqüente, que é aquele que pratica "atos de coragem", pois já escapou daquele perigo no passado, e pensa que, então, escapará dele novamente. E provavelmente haverá outros tipos de "coragem". No entanto, como foi possível notar, procurei colocar o termo sempre entre aspas, pois essas situações denotam tipos de coragem que não demonstram a existência da verdadeira coragem, que eu chamo de A CORAGEM da ALMA.

Esta sim (e somente esta!) pode-se considerar 'virtude'. Ela consta de uma força interior que nos impulsiona a sempre prosseguir, enfrentando toda e qualquer barreira que nos apareça pela frente.

Se, pela RAZÃO, estabeleci (ou aderi a) uma CAUSA, as inúmeras barreiras que naturalmente surgirão, procurarão diminuir a minha VONTADE de lutar por aquela causa. Será, então, atribuição da CORAGEM remover essas barreiras, reduzindo o meu TEMOR natural e "colocando lenha" na minha AUDÁCIA (característica necessária para que eu lute pelas melhores causas).

Outro dia, meu amigo e consultor, P.L., disse que a virtude está NO CENTRO, e como eu concordei com ele, o "colocar lenha da audácia", que eu disse acima, deve ser uma ação realizada nunca de forma desmedida, mas sempre feita com MODERAÇÃO. Mas, continuemos...

Tentando agora resumir o que foi dito até então: a CORAGEM verdadeira e necessária é aquela 'interior', que vem DA ALMA, e que nos impulsiona a vencer todo e qualquer obstáculo que se coloca à nossa frente para nos desanimar na luta RACIONAL em direção a uma CAUSA. E 'desanimar' significa "minar a nossa VONTADE". Assim, volto à minha tese de sempre, de que é preciso EDUCARMOS A VONTADE! Só assim conseguiremos 'não abandonar' uma boa CAUSA, estabelecida ou aderida de forma RACIONAL, por algum tipo de TEMOR.

Mas é preciso que se tome consciência de que as grandes mudanças sociais, produzidas por INDIVÍDUOS (como vimos acima), INTELECTUALIZADOS (como vimos no
post anterior), demanda GRANDES CAUSAS. E, para que sejam perseguidas grandes causas, é preciso disposição para vencer grandes barreiras (pois estas são proporcionais à grandeza daquelas). Assim, que não se pense que é suficiente suportar pequenas adversidades, se se deseja EMPREENDER de fato, rumo a causas que realmente valham a pena e que efetivamente produzam boas mudanças. CORAJOSO, assim, é o homem que, ao EMPREENDER, consegue tolerar grandes sacrifícios, pois, do contrário, ele será apenas "relativamente" corajoso.

E o que o homem corajoso pode (deve) fazer? Basicamente, duas coisas: TOLERAR (resistir, suportar) e ATACAR (enfrentar). Mas, como este último ato está normalmente ligado à IRA, prefiro encarar a CORAGEM como o ato de TOLERAR, RESISTIR, SUPORTAR, antes de ATACAR ou ENFRENTAR.

Vejo que acabei me alongando demais no assunto 'CORAGEM', sendo que ainda tenho que falar sobre o DESPRENDIMENTO. A respeito disso, vou ser muito breve, até porque este
post já está ficando extenso demais.

O DESPRENDIMENTO é necessário, porque uma CAUSA deve ser sempre abraçada não para si, mas para os outros (para os grupos, para a empresa, para a sociedade...). E "os outros", como vimos, passam a aderir às mudanças muitas vezes sem se perceberem disso. E, quando o fazem, tendem a "esquecer" que você foi o agente dessa mudança. Nessa hora, se você quiser se APEGAR ao (sem dúvida magnânimo) papel que desempenhou, então você só sofrerá, e o seu ato grandioso será por si só diminuído, pois você perderá o DESPRENDIMENTO necessário, que nada mais é do que possuir um CORAÇÃO VOLUNTÁRIO, que faz 'pela CAUSA', independente dos louros que eventualmente possam ser amealhados para você.

E haverá ainda os que exacerbarão no sentido "prático" da inovação, tentando (e geralmente conseguindo) incutir nas mentes desavisadas que o mais importante do processo de mudança não foi o ato precursor, criador e INDIVIDUAL em si, mas as ações de implementação que lhe seguiram. Esses negligenciam (por ignorância, creio eu) o valor das idéias e das virtudes (descritas neste
post), tão fundamentais e necessárias para o empreendimento de mudanças substanciais, passando a priorizar o fazer ao pensar, o construir ao projetar, o realizar ao conceber... Invertendo-se a ordem das coisas, ao tentarem "mediocrizar" o valor da intelectualidade e o mérito das virtudes.

[Depois de ter colocado esse
blog por um período de férias, aos poucos vou reaquecendo as turbinas! Continuo mais tarde, evoluindo um pouco mais nesses assuntos...]


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Como um empregado "comum" pode influenciar o destino de sua empresa?

Entendo que uma das melhores maneiras para isso é a auto-educação permanente.

Digo "auto" por entender que os nossos meios de formação, bem como as iniciativas empresariais de reciclagem de funcionários, são em geral muito insuficientes.

É necessário que criemos uma elite de intelectuais que seja grandiosa, profunda e que de fato forme uma visão sistêmica, mais completa das coisas.

Outro dia, alguém argumentou que "na vida, nada acontece se não for de cima para baixo". Respondi que, se isso for realmente certo, então mais do que nunca os empregados devem procurar 'o topo' de suas organizações, buscando intelectualizar-se.

Ser verdadeiramente do 'topo' de uma empresa significa estar entre os mais intelectualizados, e não apenas atingir o ápice da hierarquia (o que, em algumas situações, pode ocorrer por outros meios, como pela amizade, pelo coleguismo ou pela indicação).

Os mais intelectualizados sempre influenciarão, não só a empresa, como a sociedade. E, sendo que um dos caminhos para alcançá-la é certamente
a cultura, em todo o lugar em que trabalhei procurei sempre incentivar as leituras excelentes; a criação de grupos de estudos; a ampla divulgação de boas idéias e projetos; a geração de publicações; a realização de palestras; a organização de workshops,...

Assim, podem ser desenvolvidas verdadeiras competências, que passarão a fazer acontecer "de cima para baixo"; pois pela intelectualidade estarão acima, de forma natural e bem aceita, e não de maneira forçada ou por imposição.

Sinal ou ruído?

Tenho um amigo que sempre foi muito calmo e, também, extremamente culto.

Suas conversas são habitualmente bem interessantes, pois podem versar, literalmente, sobre qualquer coisa: filosofia, psicologia, antropologia, sociologia, teologia, história,...

Há cerca de um mês, ele me contou que a tecnologia acabou "lhe vencendo": ele finalmente havia adquirido seu primeiro celular e mandado instalar "banda larga" em seu computador.

De lá para cá, tenho observado nele uma verdadeira revolução. Não consigo mais encontrar no meu amigo a mesma pessoa calma e tranqüila de antes. Está com uma aparência terrível, visivelmente mais agitado, pálido, com olheiras e olhos vermelhos.

Ele me diz que tem passado as noites baixando álbuns de música e livros digitais!

Eu, como alguém que trabalha com Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), deveria ficar contente com essa "revolução" que está ocorrendo na vida dele. Entretanto, por outro lado, vejo que estou perdendo aquele amigo com quem eu trocava muitas idéias e informações interessantes, sobre diferentes temas. Em pouco tempo, ele se tornou "mais um" companheiro que fala sobre o mesmo (e único) tema de sempre: as TICs.

Agora ele passa horas e horas monitorando o progresso de uma barra de download, na tela de seu computador; e acha maravilhoso que as músicas (que antes ele ouvia em CDs) estejam sendo baixadas (no seu PC, a partir da Internet). O prazer, ao invés de ser o da música em si, passou a ser o de "baixar" a música. Inacreditável!...

Nunca imaginei que "este" meu amigo seria contaminado pelo comportamento insano que as TICs podem proporcionar nas pessoas: verdadeira doença, que faz com que os usuários dessas tecnologias percam a capacidade de discernimento entre o que é sinal e o que é ruído em suas vidas.

É claro que as tecnologias trazem progresso e que queremos ter os equipamentos mais atualizados, bem como as bandas cada vez mais largas. Entretanto, embora possa parecer paradoxal o que vou dizer, é fundamental que também saibamos pisar no freio de vez em quando, pensando no que realmente queremos para nós, no que de fato nos deve dar prazer, naquilo que devemos verdadeiramente valorizar em nossas vidas.

E, nesses momentos, identificaremos o que há de mais precioso em nossas vidas, que não são os celulares, os computadores, as HD-TVs, as bandas largas...

...É quando encontraremos as nossas melhores amizades. É quando encontraremos o carinho e o suporte incondicional de nossos familiares. É quando encontraremos a nós mesmos. E é quando encontraremos Aquele que nos criou e que nos ama infinitamente.

Banda, cada vez mais larga, SIM!

Pé no freio, cada vez com maior freqüência, TAMBÉM!

O verdadeiro progresso está no discernimento. A virtude, na moderação.


sábado, 8 de agosto de 2009

Este blog está entrando em férias!





sábado, 18 de julho de 2009

A Estratégia do Oceano Azul

A Seqüência Fibronacci

domingo, 28 de junho de 2009

O grave problema da infra



Certa vez, quando ocorreu um acidente com um caminhão transportador de produtos inflamáveis, em uma estrada na qual eu viajava, tentei ligar para o número "0800" fornecido, para pedir maiores informações, mas o mesmo estava congestionado, tendo sido impossível efetuar a ligação! É o exemplo de um "0800" projetado para funcionar, somente, quando "não há qualquer problema maior"!

Traçando um paralelo, seria mais ou menos como um restaurante que fecha para o almoço: quando você mais o quer, ele não está disponível!

Pois agora, o mesmo ocorreu com o falecimento de Michael Jackson. Os sites ficaram congestionados, por muitas e muitas horas, o que demonstra que se investe muito "em Internet", mas não se está investindo o suficiente na "infra-estrutura" para suportá-la.

Leia mais sobre isso aqui (em Inglês).

Ainda a respeito do falecimento, os mecanismos para proteção a ataques foram automaticamente acionados no Google. Pela enorme quantidade de pedidos de busca pelo nome "Michael Jackson", o sistema "entendeu" que seria um ataque eletrônico e, para muitos que buscavam notícias sobre o cantor, receberam como resposta uma mensagem de erro! E isso durou por quase meia hora. Veja, a seguir, o gráfico que o Google divulgou, a respeito do aumento de tráfego:



E, aproveitando a ocasião, não podemos deixar de fazer aqui, também, a nossa homenagem ao brilhante artista (e bizarra pessoa), falecido recentemente. E nada melhor para isso do que mostrar a impressionante coreografia feita pelos presos de uma penitenciária das Filipinas. Segue o vídeo:

Pesquisar para sobreviver



Muito interessante esta entrevista (em espanhol) com o Rick Rashid, profissional que há 18 anos está à frente da área de pesquisas da Microsoft, empresa que, sozinha, investe em P&D mais do que o dobro do que Apple e Google investem, juntas!

No meu entendimento, qualquer companhia de base tecnológica que não invista (ou que não pretenda, a curto prazo, investir) seriamente em P&D é empresa imediatista, sem qualquer visão ou cuidado com o seu futuro, a sua sustentabilidade. Por que digo isso? Leia aqui.